Alcoolismo: nova diretriz indica melhor tratamento medicamentoso

Estima-se que nos Estados Unidos menos de 10% das pessoas que sofrem com uso abusivo do álcool já tenham sido abordadas nesse sentido por um profissional de saúde, seja como suporte psicológico ou psiquiátrico. O abuso de álcool é muito comum no mundo todo, mais ainda na sociedade ocidental. Essas pessoas precisam ser abordadas, questionadas sobre como se sentem e o impacto que tem em sua vida.

Pacientes alcoólicos devem ser avaliados, em um primeiro momento, sobre a quantidade de álcool que consomem, a frequência e como isso tem afetado sua saúde física, emocional e as relações interpessoais. Muitas vezes o questionário CAGE não apenas fornece um parâmetro do comprometimento do paciente, mas também o ajuda a entender o quanto está comprometido. Vale lembrar as perguntas que devem ser feitas e que duas respostas positivas sugerem dependência e/ou uso abusivo:

1 – Já tentou reduzir ou parar de beber e não conseguiu?
2 – Já ficou incomodado com os outros por criticarem seu jeito de beber?
3 – Já se sentiu culpado por beber?
4 – Já precisou beber mais para aliviar a ressaca?

Alguns pacientes se beneficiam da redução da bebida como redução de danos e outros se beneficiam da abstinência total. Fundamental é conversar isso com o paciente, para que a decisão da abordagem seja feita em conjunto. Sempre que estiver disponível, contar com apoio da família, amigos e grupos terapêuticos. Reforços positivos devem ser feitos a cada conquista realizada. Muitos pacientes precisam trocar alguns hábitos para diminuir o uso, como frequentar outro lugar ou sair com um grupo de pessoas e é importante que o paciente avalie o impacto que isso terá no seu dia a dia.

No guideline publicado pelo American Journal of Psychiatry em janeiro de 2018 são listadas opções medicamentosas com boa evidência, que podem ser utilizadas em caso de falha de tratamento não farmacológico.

– A primeira opção é o naltrexona, cuja contra indicação é insuficiência hepática ou hepatite.

– A segunda opção é o dissulfiram, que se consumido com bebida alcoólica causa muito mal estar. O objetivo é que uma vez ingerido o medicamento, o paciente terá medo de ingerir bebida alcoólica e não beba.

– Outras opções menos comuns, porém com alguma evidência são gabapentina e topiramato.

– Carbamazepina mais uma vez não é citada como droga com eficácia para tratamento do alcoolismo, embora alguns médicos ainda a prescrevam.

– Benzodiazepínicos também não devem ser usados, exceto nos casos de abstinência aguda e antidepressivos só devem ser prescritos quando existe outra doença psiquiátrica que indique seu uso.

 

Escrito pela Dra. Luma Beatriz Peril

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