Sociedade Brasileira de Pediatria lança diretrizes sobre doenças respiratórias em crianças — POSFG | O Portal da Pós-Graduação

As doenças respiratórias são as mais comuns e as causadoras do maior número de emergência e hospitalizações em crianças. O vírus sincicial é o maior responsável pelos acometimentos em recém-nascidos e crianças menores de dois anos, podendo motivar até 75% dos casos de bronquiolites e 40% de pneumonias durante os períodos sazonais.

Pensando nessa demanda, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SPB) lançou suas Diretrizes para o Manejo da Infecção Causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) – 2017. O documento, formado por cinco departamentos científicos da entidade – Cardiologia, Imunizações, Infectologia, Neonatologia e Pneumologia – busca oferecer aos profissionais e familiares das crianças respostas para os aspectos relacionados a esse problema de saúde.

O VSR é um vírus causador de infecção aguda do trato respiratório em indivíduos de todas as idades. A maioria das crianças é infectada no primeiro ano de vida e assim serão expostas ao vírus até o final do segundo ano de idade, com infecções durante toda a vida.

O caso é mais grave quando ocorre em prematuros, portadores de cardiopatias congênitas e de doença pulmonar crônica da prematuridade, grupos considerados de maior morbimortalidade. Inclusive, a prematuridade é um dos principais fatores de risco para a hospitalização pelo VSR. Segundo o documento da SPB, em prematuros com menos de 32 semanas de idade gestacional ao nascer, a taxa de internação hospitalar é de 13,4%; essa taxa decresce com o aumento da idade gestacional.

Não existe um tratamento específico para o vírus, mas sempre é recomendado a hidratação, sucção de vias aéreas superiores (VAS) e fisioterapia respiratória, além das medidas preventivas e de controle da infecção.

Recomendações

Nos recém-nascidos deve ser feito a higiene das narinas com aspiração, pois melhora o esforço respiratório e facilita a alimentação. Porém, o documento ressalva que a aspiração pode irritar a mucosa nasal e desencadear edema. Logo, a recomendação é que se faça aspiração nasal suave e mais superficial, quando necessário.

Segundo o documento, a presença de malformações cardíacas também está relacionada a uma maior gravidade e taxas de hospitalização maiores em caso de infecções causadas pelo VSR. A hiper-reatividade vascular pulmonar e a hipertensão pulmonar são responsáveis pela gravidade do quadro. Nesses quadros, a taxa de admissão hospitalar é, em média, de 10,4%, com maior necessidade de internação em unidade de terapia intensiva e ventilação mecânica – 37% x 1,5% e mortalidade de 3,4% comparada a uma taxa de 0,5% na população previamente sadia.

Na maioria dos estados brasileiros, a prematuridade é a principal causa de morte nos primeiros 5 anos de vida. O aumento da prevalência no Brasil nas últimas décadas deve ser o principal foco específico de políticas de saúde, não apenas para a redução no número de óbitos prematuros, mas também para promover cuidado que potencialize a qualidade de vida na infância e ao longo da vida.

O avanço no acesso e na qualidade da atenção ao recém-nascido de risco, que demanda cuidado intensivo e especializado, vem possibilitando um aumento expressivo da sobrevida. Os resultados alcançados aumentam o desafio de integrar a atenção hospitalar à ambulatorial, para garantir continuidade do cuidado na implementação de tecnologias efetivas e alcance de melhores resultados clínicos.

Para o tratamento domiciliar, as Diretrizes recomendam:

  • Fazer higiene das mãos com água e sabão e ou álcool a 70%;
  • Evitar tabagismo passivo;
  • Manter alimentação normal para a idade da criança;
  • Fazer higiene da cavidade nasal com solução salina;
  • Uso de antitérmicos se for necessário;
  • Reavaliação médica se houver dúvidas ou se sinais de alerta presentes;
  • Orientar os cuidadores sobre os sinais e sintomas de “alerta”.

Quanto a hospitalização, o documento diz:

  • Episódios de Apneia;
  • Criança com piora do estado geral (hipoativa, prostrada, acorda apenas com estímulos prolongados);
  • Desconforto respiratório (gemência, retração torácica, FR >60, cianose central, saturação < 92% persistente);
  • Sinais de desidratação;
  • Recusa alimentar, ingestão reduzida e/ou sem diurese por 12 horas;
  • Presença de comorbidade: displasia, cardiopatia, imunodeficiência, doença neuromuscular, outras;
  • Idade: < 3 meses;
  • Prematuridade, especialmente < 32 semanas;
  • Condição social ruim;
  • Dificuldade de acesso ao serviço de saúde se houver piora clínica;
  • Incapacidade, falta de confiança para identificar sinais de “alerta”.

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