A importância do nutrólogo no vegetarianismo infantil

Publicado em 11/09/2018

O número de brasileiros que tem aberto mão do hábito de consumir carne tem crescido muito nos últimos anos. Uma pesquisa encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira, feita pelo Ibope, comprovou isso. Os adeptos da alimentação vegetariana já somam 30 milhões de pessoas, o que representa 14% da população do país. E além do público que não consome carne, também tem aumentado o time de quem não ingere produtos derivados de animais, por exemplo. Por isso hoje já é possível classificar alguns grupos de acordo com o consumo.

  • Ovolactovegetariano: utiliza ovos, leite e laticínios na alimentação;
  • Lactovegetariano: não utiliza ovos, mas faz uso de leite e laticínios;
  • Ovovegetariano: não utiliza laticínios, mas consome ovos;
  • Vegetariano: não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação;
  • Vegano: não utiliza qualquer alimento derivado de animal na sua alimentação, nem produtos ou roupas contendo estes alimentos, ou frequenta qualquer diversão que seja às custas de exposição animal (zoológicos, aquários).

Muitos motivos levam as famílias a optarem por esses hábitos alimentares, que vão desde religião à preocupação com o meio ambiente. E como o costume na hora de fazer as refeições está mudando, é natural que muitas crianças, seguindo os passos dos pais, deixem de comer carne também. Mas será que esse é um hábito saudável para os pequenos?

Pensando justamente nessa questão, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou um guia prático de Vegetarianismo na infância e na adolescência. Na espécie de cartilha, a SBP não faz julgamentos quanto ao não consumo de carne e outros derivados de animais, mas faz um alerta e pede que os pediatras que atendem essas famílias se mantenham atualizados e atentos, para que consigam suprir deficiências de nutrientes importantes para a criança e o adolescente. Se a dieta for balanceada, tanto a criança quanto o adolescente se desenvolvem de forma adequada.

A dieta vegetariana saudável, em geral, tem menor quantidade energética e gordura saturada e maior teor de fibras, frutas e vegetais, por refeição. O Guia traz ainda orientações nutricionais importantes, como:

– Energia: a recomendação de aporte energético é a mesma em vegetarianos e não vegetarianos, porém quanto mais restritiva é a dieta maior será o volume de alimento para alcançar o aporte ideal, o que pode levar a exceder a capacidade gástrica em lactentes, sendo necessário oferecer alimentos mais frequentemente. Em crianças maiores produtos com mais densidade calórica, como oleoginosas, podem ajudar.

– Proteína: a maior fonte de proteína vegetal advém das leguminosas, cereais, nozes e sementes. A ingestão de arroz e feijão fornece todos os aminoácidos essenciais. Alguns estudos sugerem acréscimo nos requerimentos de proteínas nas dietas vegetarias estritas.

– Gordura: o consumo deve variar de 25 a 35% do total de calorias. Crianças vegetarianas parecem consumir um pouco menos do que as onívoras e ovolactovegetarianas. Consumo menor que 25% proveniente das gorduras pode comprometer o crescimento, e valores abaixo de 15% estão ligados à deficiência de ácidos graxos essenciais.

– Fibras: o consumo regular de alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras, legumes está associado à diminuição do risco de obesidade, câncer e doenças cardiovasculares. Crianças veganas podem consumir até 3x mais fibras que o recomendado, o que interfere com a absorção de minerais e diminui a ingesta de calorias (pela maior saciedade das fibras).

– Minerais:

  • Ferro: a deficiência de ferro mesmo sem anemia está associada a alterações do desenvolvimento neuropsicomotor, alteração do sistema imune e diminuição da capacidade de trabalho. A carência de ferro é muito prevalente na criança vegetariana. O ferro heme é altamente biodisponível, já o não heme possui biodisponibilidade bem menor.
  • Zinco: crucial para crescimento e desenvolvimento, é co-fator de inúmeras enzimas e componente estrutural de células. Metade do zinco corporal é de origem animal, e sua deficiência leva à alopecia, retardo no desenvolvimento, e susceptibilidade a infecções.
  • Cálcio: as crianças veganas que não consomem alimentos com boa biodisponibilidade de cálcio devem receber suplementação, preferencialmente entre as refeições, para melhor absorção. Na impossibilidade do aleitamento materno, fórmulas infantis à base de proteína hidrolisada de arroz ou isolada de soja.

Os profissionais, especialmente os nutrólogos que atendem essa criança devem conhecer bem a dieta para adequação do aporte de nutrientes.

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