Esposa de médico que atende vítimas de trânsito desabafa e propõe reflexão

 

O texto completo pode ser lido na coluna de Cláudia Collucci, publicada na Folha de S.Paulo.

“Meu marido é médico e trabalha em uma das UTIs de um grande hospital público de São Paulo. As vítimas de alguns dos acidentes de trânsito mais espetaculares que aparecem nos telejornais vão parar lá. Pessoas trituradas, aos pedaços, loucas de dor, que os profissionais de saúde vão juntando, cuidando. Muitas não resistem, outras sobrevivem mas jamais serão autônomas de novo; raramente partem sem sequelas.

Ao contrário de quem vê a notícia do acidente na TV, admira o carro esmagado, diz “que horror” e vai fazer outra coisa, meu marido e a equipe da qual ele faz parte encaram a pessoa e sua família, dão as notícias mais atrozes, tomam decisões e assumem responsabilidades sobre tratamentos. Muito além da técnica, a equipe testemunha o impacto dos acidentes naquelas vidas. Um mar de sofrimento.

Algumas pessoas ficam lá por horas, outras por semanas. Por vezes, meu marido explode de estresse e de tristeza. Todo profissional da saúde passa por isso.”

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o terceiro país com mais acidentes de trânsito do mundo, ficando atrás somente da Índia e da China. Só em 2016, 28 mil pessoas que se envolveram em acidentes graves de trânsito ficaram incapacitadas para o trabalho, e 33 mil tiveram destino mais trágico: não sobreviveram.

Em seu desabafo, a esposa do médico (que não foi identificada na reportagem), alerta para os altos limites de velocidade. Segundo ela, esse é um dos principais responsáveis pelos graves acidentes de trânsito.

Recentemente, se debateu o aumento do limite de velocidade nas marginais de São Paulo, e verificou-se o aumento de acidentes e mortes. De fato, já era recomendação da OMS que vias urbanas jamais permitam velocidade acima 50 km/h. Segundo a organização, 47 mil brasileiros morrem todos os anos em razão de acidentes nesses locais. A OMS estima em R$ 27 bilhões (1% do PIB) o custo dessa carnificina no Brasil.

 

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