Mudanças na química cerebral distorcem a realidade em pacientes com ansiedade

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18/01/2018

 

Ao contrário do que se imagina, a ansiedade é benéfica. Esse mecanismo é o grande responsável por aumentar nossas chances de sobrevivência em um ambiente hostil. Usamos o lado bom da ansiedade quando vemos as dificuldades como desafios e canalizamos uma força extra – pensamento mais ágil, músculos mobilizados – para sair da acomodação e perseguir os objetivos.

Mas a ansiedade se torna um problema quando se torna muito constante e começa a atrapalhar o desenrolar da rotina. “É como um alarme de carro que dispara toda hora sem que alguém tente arrombá-lo”, compara o psicólogo Armando Ribeiro. No ansioso, as preocupações dominam o pensamento, o que resulta em medo – e ele consome tanta energia que é impossível sair da inércia e realizar o que precisa ser feito.

Um estudo do Instituto Weizmann de Ciências, de Israel, publicado em março na revista americana Current Biology, mostrou que pessoas diagnosticadas com esses transtornos têm dificuldade de distinguir estímulos seguros e neutros dos ameaçadores. Os pesquisadores relacionaram isso a mudanças na química cerebral, em especial à habilidade de estabelecer conexões entre os neurônios, o que afeta a capacidade de entender a realidade de forma objetiva. Concluíram que o ansioso tende a generalizar as experiências emocionais, enxergando-as sempre pelo lado catastrófico.

 

Solução: treinamento do foco

Com base no achado, criou-se um método para treinar o cérebro a ignorar o estímulo ameaçador e focar em outro mais leve ou neutro. “Ele tem sido aplicado em fobias específicas em crianças e TOC em adultos, com bons resultados”, diz Torresan. Por enquanto, tem indicação apenas para quem não responde ao tratamento convencional. Mas, ele acredita, se o sucesso for confirmado, abre a possibilidade de atendimento online e de criação de aplicativos auxiliares.

Cientistas da Universidade de Nova York já testam um game que promete reduzir a ansiedade se jogado por 25 minutos diários. Tirar férias, receber massagem e praticar exercícios traz melhora, admite Corchs: “Mas, se houver um transtorno, o alívio é só temporário”. Afinal, como alerta Ribeiro: “Não se conserta vazamento tirando água com balde; é preciso achar o cano furado”. O psicólogo destaca a importância de modificar pensamentos que levam às crises. O ansioso tem a percepção de que tudo é urgente, os problemas ultrapassam sua capacidade e repete: “Não consigo, vai dar errado, está tudo perdido”.

“Esses pensamentos automáticos, repetidos como mantras, pilham a mente, minam a autoconfiança e trazem sensação de derrota”, afirma Ribeiro. A psicoterapia cognitiva comportamental ajuda a tomar ciência dos pensamentos distorcidos e se libertar. “Ela tem se mostrado tão eficaz quanto medicamento e, em certos casos, superior, como nas fobias específicas”, afirma Torresan. “Os melhores resultados, porém, são obtidos ao associar psicoterapia a medicação.”

Outro benefício da psicoterapia é ajudar a rever as próprias escolhas. “As pessoas não percebem que desrespeitam seus limites”, relata Mazzoleni. “Programam 50 tarefas para o dia e querem ter disposição de realizar todas dormindo só quatro horas.” Quando o quadro é grave e a pessoa fica agressiva, os medicamentos são indispensáveis. “Porque, nesse ponto, o terapeuta não consegue uma abertura para trabalhar”, explica Ribeiro. Os indicados são os antidepressivos (fluoxetina, paroxetina, tetralina, escitalopram e citalopram), que aumentam a serotonina, neurotransmissor ligado ao bem-estar.

Os resultados podem demorar 12 semanas a aparecer. Em certos casos, são prescritos benzodiazepínicos, os calmantes tarja preta, para alívio da insônia. Meios para se livrar do tormento existem. Cabe ao ansioso deixar de bancar o forte, de dizer: “Eu aguento”. E pedir ajuda.

 

Fonte: IPAN

 

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