O polêmico “chip da beleza”

Popular e polêmico, o implante de hormônios foi criado há cerca de quatro décadas para atuar originalmente como contraceptivo, em alternativa à pílula anticoncepcional, mas nos últimos cinco anos ganhou o apelido de “chip da beleza”. Muitas usuárias contam que a técnica elimina cólicas e Tensão Pré-Menstrual (TPM), diminui a celulite, melhora a pele e o cabelo, estimula a perda de gordura e o ganho de músculos, além de aumentar a disposição.

A lista de benefícios é grande, mas o “chip” também pode trazer efeitos colaterais indesejados. Queda de cabelo, surgimento de acne e pelos, engrossamento da voz e aumento de clitóris estão entre os principais. Para quem não faz exercícios, nem come de forma saudável a reação à liberação diária e contínua de hormônios é justamente o ganho de peso.

Esses implantes são subcutâneos, colocados sob a pele, preferencialmente logo acima dos glúteos. O procedimento não dura mais do que dez minutos, e a pessoa não precisa de qualquer repouso: basta um curativo. De “chip” mesmo o implante não tem nada. Numa das versões, assume a forma de um tubinho de silicone do tamanho de um palito de fósforo e é colocado tão superficialmente que até dá para sentir ao tocar. Para ser implantado, é preciso anestesia local, mas o tubo pode ser retirado a qualquer momento — o prazo de validade é de três anos dentro do corpo.

Do tamanho de um alpiste, o segundo tipo é composto por “cristais de hormônio” que se dissolvem aos poucos, até desaparecerem por completo. Este dura apenas seis meses, fica alocado na camada de gordura e não aparece em radiografias. Nem precisa de anestesia para ser implantado, porque é absorvido pela pele. Em média, os dois tipos custam R$ 4 mil por implantação.

ENTIDADES QUESTIONAM USO

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) se posiciona contra o uso de hormônios em pessoas que não apresentam deficiências hormonais, devido aos efeitos adversos que isso pode gerar. É o que a entidade chama de “modulação hormonal”, prática que considera arriscada.

— Quando o paciente tem falta de hormônio, a gente dá. Quando tem em excesso, a gente tira. É nisso que consiste o tratamento hormonal. Se passarmos a usar hormônios com um objetivo estético, partimos de uma premissa errada e perigosa — destaca o vice-presidente da SBEM, Alexandre Hohl.

O endocrinologista Pedro Assed conta que já recebeu uma paciente que havia implantado o “chip”, ficou com sangramento ininterrupto e, ao retornar ao médico que fez o implante, não conseguiu retirá-lo porque o profissional não conseguia encontrá-lo:

— O implante que ela colocou não aparecia em radiografias, então não se sabia onde ele estava, e o médico ainda não a tinha informado quais hormônios havia usado. A paciente não tinha ideia do que estava no corpo dela. Isso é recorrente.

Apesar dos riscos listados por especialistas, a modelo Tininha Mattos, que usa o implante, é só elogios:

— Eu não me vejo mais sem o “chip”. Eu sofria de TPM crônica e ele ajudou muito a minha vida — pontua ela.

No caso dela, no entanto, não foi um passe de mágica: o primeiro implante que ela colocou, em fevereiro, com 25g de gestrinona, não fez qualquer efeito. Um mês depois, na consulta de revisão, mais 25g foram colocados e aí sim ela viu o que esperava: o fim das oscilações de humor, e, de quebra, a perda de 5 pontos percentuais em sua massa de gordura e mais maciez aos cabelos. Sem efeitos adversos, garante a moça.

 

 

Fonte: O Globo

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