Pediatria: como identificar doença renal na infância?

 

Publicado em 07/08/17

A crença de que a Doença Renal Crônica (DRC) é um problema exclusivo de adultos é absolutamente errônea. Em estudo feito no Brasil foram estimados 1.300 pacientes pediátricos em tratamento com diálise em 2012, o que resulta em uma frequência de 20 casos por milhão de indivíduos com idade compatível.

Felizmente, a proporção de crianças com DRC é muito menor do que a de adultos, porém traz consequências devastadoras sobre o crescimento e desenvolvimento, além de resultar em aumento de adoecimento e até morte dos pacientes acometidos.

É sempre importante que o profissional da saúde esteja atento aos sinais e saiba como agir nestes casos. Por isso, preparamos alguns tópicos para te ajudar a diagnosticar e cuidar de pacientes pediátricos acometidos pela Doença Renal Crônica.

Como suspeitar da doença?

A DRC é uma condição “silenciosa” em que os sinais e sintomas podem demorar a aparecer. Portanto, pais e pediatras devem atentar para sinais e sintomas que possam indicar doença renal, tais como: inchaço no corpo (edema), vômitos frequentes, infecções urinárias recorrentes, atraso no crescimento e desenvolvimento, problemas ósseos, alterações em cor e aspecto da urina, alterações do hábito miccional, anemia de difícil tratamento e hipertensão arterial.

Cabe lembrar que a pressão arterial deve ser aferida em toda consulta pediátrica a partir dos três anos de idade e, na presença de fatores de risco, antes dessa faixa etária.

Como tratar a doença renal crônica?
O tratamento específico da DRC em pacientes pediátricos depende em grande parte da sua causa, sendo possíveis diferentes abordagens. Exemplos: cirurgias urológicas para correção do trato urinário em pacientes com anomalias congênitas do aparelho urinário, utilização de medicamentos imunossupressores, nos casos de doenças mediadas por alterações imunológicas, dentre outras.

Além do tratamento direcionado para a causa da doença, a abordagem do paciente pediátrico com DRC envolve medidas para retardar a progressão da doença, o chamado tratamento conservador, incluindo medidas para controle da anemia, abordagem de alterações nos níveis de colesterol e/ou triglicérides, controle dos níveis de pressão arterial, além de evitar outras agressões ao rim doente, como infecções e uso de medicamentos com potencial tóxico ao rim.

Nos casos em que a função dos rins se mostra gravemente comprometida são necessários métodos que substituam a função dos rins, incluindo diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou transplante renal, sendo fundamental uma integração entre nefrologistas, pediatras e toda a equipe multiprofissional para um suporte satisfatório, principalmente nos estágios mais avançados da doença.

A alimentação influencia na doença renal crônica?
Para a prevenção da DRC, uma alimentação saudável é fundamental, sendo cada vez mais enfatizado o papel da obesidade como fator de risco. Nas crianças com DRC é comum a ocorrência de desnutrição e atraso de crescimento, assim o tratamento nutricional tem com objetivo favorecer o crescimento, melhorar da condição nutricional, além de controlar a evolução da DRC.

Mas, em casos em que o comprometimento renal já se encontrada instalado, podem ser necessárias restrições alimentares, particularmente em relação à oferta de sódio, potássio e fósforo e ao consumo de líquidos para os pacientes que apresentam volume de urina reduzido.

Em relação à oferta de proteínas, não se recomenda restrição para crianças, tendo-se em vista se tratar de uma fase de intenso crescimento, devendo-se respeitar as recomendações de ingestão diária, privilegiando proteínas de alto valor biológico.

Ressalta-se a contraindicação à oferta de carambola para pacientes com disfunção renal, em decorrência da presença de toxina com efeitos deletérios para o sistema neurológico, podendo causar confusão mental, convulsões e até mesmo morte em pacientes com DRC.

 

Beber água e manter uma alimentação saudável na infância é fundamental

Fonte: Pediatra Orienta

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