Por que a Psicogeriatria tem se tornado tao importante?

Publicado em 05/10/2018

Graças ao avanço da medicina e também de algumas mudanças de hábitos, a expectativa de vida dos brasileiros tem aumentado nos últimos anos.  E vivendo mais e melhor, essa população só cresce. Em 5 anos, segundo dados levantados pelo IBGE, o Brasil chegou a registrar um acréscimo de 19% na população com mais de 60 anos. Hoje já são mais de 30 milhões de pessoas. E a tendência é que esse índice só aumente.

De acordo com projeções, em 2031, o número de idosos deve superar pela primeira vez o de crianças no país. Até 2042 , essa população deve dobrar em relação a 2018, chegando a 57 milhões, ou seja, 24,5% do número total de habitantes. E antes de 2050, os idosos já serão um grupo maior do que a parcela da população com idade entre 40 e 59 anos.

E com o aumento da expectativa de vida e da população idosa, cresce também o número de doenças relacionadas a essa faixa etária. Com o objetivo de amenizar esses problemas, surgiu a Psicogeriatria. Área da saúde mental que tenta dar conta dos aspectos psicológicos e psicopatológicos que aparecem em decorrência do processo de envelhecimento.

Entre os transtornos mais comuns da velhice estão a depressão e as demências, mas também existem as demências mista e vascular. De acordo com a psicóloga, especialista em Psicogeriatria, Paula Brito Cordeiro, a Psicogeriatria tem como modalidades de intervenção: Psicoterapia: TCC, psicanálise, terapia centrada na pessoa, ou seja, uma gama de abordagens psicológicas.

O que se observa, segundo ela, é que na psicoterapia com idosos abrange a dificuldade que eles têm para lidar com as limitações advindas com o processo de envelhecimento, de se reconhecer como velho, dificuldade em lidar com a perda, morte, medo de morrer, sensação de impotência por não ter conseguido alcançar as metas que se colocaram ao longo da vida. Existe também uma perda de objetos de investimento e dificuldade de investir em novos objetos.

A tendência do idoso é se voltar para o passado. O trabalho da clínica é, justamente, ressignificar esse passado, de modo que ele possa investir no presente.

A reabilitação em pacientes com demência é bastante questionada, por ser a demência uma doença progressiva. Mas as pesquisas têm mostrado resultados satisfatórios. Não se deve devolver o que ele perdeu, mas podemos ajudar a manter o que ele ainda tem preservado.

O sucesso de um programa de reabilitação é justamente a estabilidade da independência funcional do paciente. Para que esse processo seja alcançado a orientação e suporte a familiares e cuidadores também estão incluídos no tratamento.

Orientação e suporte aos familiares e cuidadores, mais especificamente com relação às síndromes demenciais é uma intervenção importante, que deve ser considerada.

O paciente muitas vezes é reflexo do seu cuidador e do meio ambiente em que está inserido. Muitas vezes uma queda no desempenho do paciente está relacionada à forma como ele é cuidado. Até mesmo a adesão ao tratamento depende da compreensão do familiar e do cuidador com relação à doença.

A orientação e suporte aos familiares e cuidadores têm como objetivo informar sobre o processo da doença e sobre a forma de lidar com o paciente, criando estratégias compensatórias que facilitem o dia a dia tanto do paciente como do familiar.

Na clínica é muito comum vermos a resistência e a negação que o familiar tem sobre as dificuldades do paciente, achando que o paciente está fazendo isso de propósito, e só para irritar. A nossa intervenção é esclarecer que isso, essas dificuldades são próprias da doença, e que algumas coisas o paciente vai lembrar com mais facilidade do que outras.

 

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