Primeira imunoterapia contra câncer de mama desembarca no Brasil

24/05/2019

Embora a imunoterapia seja tida como a maior revolução da oncologia nos últimos anos, ela ainda não havia chegado ao câncer de mama. Eis que a aprovação no Brasil do medicamento atezolizumabe, da farmacêutica Roche, quebra esse paradigma e, de quebra, traz uma opção justamente contra o subtipo mais agressivo da doença e mais carente de inovações: o tumor de mama triplo-negativo.

A indicação do remédio é para os casos avançados ou metastáticos da enfermidade – ou seja, quando ela já se espalhou para outros órgãos. “Essas pacientes […] têm um prognóstico difícil. O tratamento aprovado pela Anvisa se torna o preferencial na prática clínica”, afirma o oncologista Carlos Barrios, do Grupo Oncoclínicas e diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas (RS), que participou dos estudos que avaliaram a droga, em um comunicado à imprensa.

A aplicação do atezolizumabe em conjunto com um quimioterápico ampliou significativamente a sobrevida das mulheres. Ao contrário dos tratamentos comuns contra o tumor, a imunoterapia não se volta contra a doença em si. Na verdade, ela estimula as células de defesa da pessoa a reconhecerem o inimigo e o atacarem. Desde o surgimento da classe, diversos cânceres foram beneficiados.

Para ter ideia, o próprio atezolizumabe já tem indicação no Brasil contra o câncer de bexiga e o de pulmão. No entanto, nem ele nem outros imunoterápicos estão à disposição no sistema público. O alto custo dessa linha de tratamento é um dos desafios a serem superados nesse sentido.

O câncer de mama triplo-negativo e o tratamento atual

Esse tumor não apresenta três alvos que podem ser atacados por determinados tratamentos – daí seu nome. Para ser mais específico, ele NÃO tem:

Receptores de estrogênio, um hormônio feminino
Receptores de progesterona, outro hormônio feminino
Proteína HER2

Sem esses tais biomarcadores, fica difícil enfrentá-lo com hormonioterapia ou terapia-alvo, por exemplo.

Se ele é diagnosticado logo no início, ainda pode ser removido com cirurgia. Do contrário, as mulheres com câncer de mama triplo negativo – que correspondem de 10 a 15% dos casos – tinham à disposição basicamente a quimioterapia, eventualmente com apoio da radioterapia.

Essa carência de terapias modernas contribui para a alta taxa de mortalidade da enfermidade. Antes do atezolizumabe, outros medicamentos inovadores foram testados, sem sucesso. Daí a importância do resultado atual.

Fonte: Abril

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