Associação de metformina e risco de acidose lática

Cerca de 1 milhão de pacientes nos EUA com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e insuficiência renal crônica (IRC) não recebem em sua prescrição a metformina (MTF). Apesar de o uso ser seguro em alguns casos, isso tem impacto negativo na morbimortalidade destes pacientes. Tal fato reflete a desinformação do médico prescritor.

Mais de 380 milhões de pessoas no mundo tem DM2, 20% tem IRC com clearance de creatinina (ClCr) menor que 60ml/min. MTF é a medicação de primeira linha mais indicada nos pacientes com DM2 devido ao baixo custo, efeitos adversos com perfil favorável e efeito protetor cardiovascular. Contudo, essa medicação é menos prescrita nos pacientes com IRC devido a eventual risco de acidose lática.

Agências de controle de medicação, por exemplo, FDA, e sociedades médicas através de seus guidelinespermitem o uso criterioso da MTF. Atenção, não devemos usar o valor absoluto da creatinina, e sim calcular o ClCr.

  • Não iniciar MTF em pacientes com IRC e ClCr menor que 45ml/min.
  • Não usar MTF em pacientes com IRC e ClCr menor que 30ml/min (naqueles pacientes que já usavam MTF).
  • Nos pacientes com ClCr menor que 60ml/min a dose deve ser sempre reduzida e devemos fazer monitorização frequente da função renal.

Recente estudo teve como objetivo identificar quais estágios de IRC têm maior risco em desenvolver acidose lática naqueles com DM2 em uso de MTF. Os resultados são seguros e práticos: é possível usar MTF em pacientes com DM2 e IRC com ClCr entre 30-60ml/min.

Uma corte de mais de 75.000 pacientes foi estudada, dados de 2004-2017 foram analisados: os pacientes pertenciam a serviços de saúde particulares dos EUA, usavam MTF e tinham diversos graus de IRC. Eram 51% mulheres, idade média 60 anos e 20% tinham ClCr <60ml/min.

O resultado mais importante é que o risco de acidose lática só foi maior naqueles pacientes com ClCr menor que 30ml/min. Outro resultado importante é que o risco de acidose lática também aumenta nos pacientes com IRC e ClCr <30ml/min mesmo naqueles pacientes que não usam MTF.

 

Autor: Francisco Blotta, Endocrinologista

 

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