Saiba mais sobre a doença que atinge até 60% das crianças prematuras

Publicado em 17/09/2018

A Displasia Broncopulmonar é uma doença que se origina de diversos fatores e acomete quase que exclusivamente recém-nascidos prematuros que tenham recebido ventilação mecânica. A incidência hoje é de 30% a 60% em crianças com peso de nascimento abaixo de 1500 gramas. Ou seja, a displasia broncopulmonar é uma doença pulmonar crônica do neonato, causada tipicamente por ventilação prolongada e, além disso, definida pela idade da prematuridade e da extensão da necessidade de O2.

O problema foi descrito pela primeira vez em 1967. Os principais fatores que desencadeiam o problema são:

1) Prematuridade. A incidência de DBP é inversamente proporcional à idade gestacional, ou seja, quanto mais imaturo for o recém-nascido, mais chance de desenvolver o problema.

2) Toxicidade do oxigênio. A inalação de oxigênio leva à produção de radicais livres que lesam o pulmão, causando a migração de leucócitos e a liberação dos mediadores inflamatórios. As enzimas antioxidantes, como superóxido desmutase, catalase e glutation peroxidase que protegem o pulmão da atividade oxidante do oxigênio, estão em baixa concentração no recém-nascido prematuro, predispondo-o à lesão oxidante causada pelo oxigênio.

3) Barotrauma. O uso da pressão positiva intermitente é um fator importante na gênese da displasia. A probabilidade de desenvolver a doença é diretamente proporcional à agressividade da ventilação mecânica necessária, estando relacionada ao pico da pressão inspiratória. O uso de pressão positiva inspiratória acarreta lesão epitelial e aumento da exudação bronquiolar. Entretanto esse fator se confunde com o uso de oxigênio, porque quanto mais grave for o quadro respiratório inicial, maior também será a necessidade do oxigênio inalado. A ocorrência de enfisema intersticial e de pneumotórax está relacionado com o aumento de chance do aparecimento de DBP.

4) Edema pulmonar. Tem sido demonstrada uma associação entre ingesta hídrica liberal, persistência do canal arterial e edema pulmonar com a ocorrência de DBP. O mecanismo responsável por essa associação, provavelmente, é o seguinte: a ingesta hídrica aumentada causa a abertura do canal arterial, com conseqüente edema pulmonar intersticial, acarretando uma necessidade de suporte ventilatório mais efetivo.

5) Infecção. A reação inflamatória é um mecanismo importante na gênese da DBP. A reação inflamatória pulmonar ocorre não só pelo uso do oxigênio e da ventilação mecânica, mas, também, por infecção. Foi demonstrado que a presença de infecção nosocomial associada à persistência do canal arterial, em recém-nascidos de muito baixo peso, está fortemente associada ao aparecimento de DBP. Há também a suspeita da implicação da colonização traqueal com Ureaplasma urealyticum como fator etiológico da DBP em pacientes com peso de nascimento inferior a 1000 gramas.

Fatores de risco adicionais incluem

  • Enfisema pulmonar intersticial
  • Pico elevado da pressão inspiratória
  • Grandes volumes de entrada e saída de fluxos
  • Aumento da resistência das vias respiratórias
  • Aumento da pressão da artéria pulmonar
  • Sexo masculino

Especialistas lembram que a lesão pulmonar que ocorre nas crianças com displasia deixa a criança com dificuldade para respirar, respiração acelerada e dependência de oxigênio, além de chiado no peito e tosse. Todos estes sintomas tendem a melhorar com o passar do tempo e com o crescimento pulmonar normal, desde que a criança receba tratamento adequado.

Sintomas

Os recém-nascidos afetados respiram, geralmente, de modo rápido e sofrem de dificuldades respiratórias, contraem a parede torácica ao inspirar e apresentam concentrações baixas de oxigênio no sangue que produzem uma cor azulada na pele (cianose). Em alguns recém-nascidos gravemente afetados, é necessária mais do que a quantidade normal de tempo para que o ar deixe os pulmões durante a expiração, e esse atraso pode fazer com que o ar fique preso, o que leva a superexpansão dos pulmões.

A importância de contar com um pneumologista qualificado no tratamento

O tratamento da displasia envolve questões alimentares, uso de oxigênio, medicamentos e prevenção de infecções. Como o crescimento pulmonar é a chave para a melhora dos sintomas de cansaço e dependência de oxigênio, o ganho de peso e o crescimento normal da criança têm grande impacto na melhora da displasia broncopulmonar. Entretanto, as crianças com displasia broncopulmonar em geral são prematuras e apresentam outros problemas associados à nutrição, como dificuldades na alimentação, doença do refluxo gastroesofágico, aumento do gasto de energia pelo cansaço e infecções. Por isso é preciso avaliar caso a caso.

Normalmente se torna necessário o uso de suplementos nutricionais para aumentar o valor calórico dos alimentos, como fortificantes do leite materno e preparados a base de gorduras, como o TCM (triglicérides de cadeia média).

O uso de oxigênio representa um dos aspectos mais importantes no tratamento da displasia broncopulmonar, porque a imaturidade pulmonar aliada às lesões cicatriciais dos pulmões resultam numa dificuldade em captar o oxigênio do ar ambiente, e como consequência as crianças não conseguem uma oxigenação adequada sem uma oferta adicional do oxigênio.

O que dizem os especialistas sobre a perspectiva das crianças com displasia broncopulmonar?

A melhora dos sintomas da displasia broncopulmonar é lenta e gradual, e depende do tratamento adequado e da ausência de complicações graves, mais comuns no 1º ano de vida (principalmente as infecções respiratórias). A dependência de oxigênio desaparece lentamente e raramente ultrapassa o 1º ano de vida. Não se recomenda “apressar a retirada” ou tentar forçar o desmame do oxigênio, já que a oxigenação adequada é fundamental para o crescimento e para evitar complicações cardíacas.

Pneumologia Pediátrica

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